quarta-feira, 4 de junho de 2008

O novo ano lectivo

No dia 14 de Setembro, e eu ainda de férias, era o primeiro dia de aulas do Tesourinho na escola nova...

Lá fomos nós a caminho da escola... era um dia importante para o meu menino e eu tinha de ter o dia todo para ele.

Chegámos uns minutos antes da hora combinada e, por isso, tivemos de esperar um bocadinho.
Quando finalmente nos chamaram... Começaram pela sala do Bruno... Fomos recebidos pela coordenadora da escola. Logo que ela percebeu que o menino tem Trissomia 21 disse-me que não havia lugar para ele na escola. Tudo porque alguém não tinha reparado que o menino tinha NEE e que, de acordo com a lei, teria de estar numa turma reduzida...


A Prof. M. disse-nos que não havia vaga para o Tesourinho em todo o Jardim de Infância, porque as salas estavam todas cheias... Disse-me que eu deveria falar com o Presidente do Concelho Executivo do Agrupamento (Prof. J.V.).


Foi o que fiz de imediato... Dirigi-me ao agrupamento... Este Prof. J.V. revelou-se uma das piores, se não a pior pessoa que eu já conheci... Mas, felizmente acabei por falar com um dos Vice Presidentes do Concelho Executivo, o Prof. M., que acabou por resolver o problema do menino.
Pelo menos um problema estava resolvido. Faltava resolver outro... Fomos recebidos, no Jardim de Infância, pela coordenadora da escola, porque não havia educadora para a sala azul... e não sabiamos quando ia haver...


Sem educadora, os meninos tinham de ficar todos em casa. As minha férias estavam a acabar... Como é que eu ia fazer? Pedi aos meus pais para me ficarem com o menino... Acabaram por aceitar.


Fui ligando para a escola... já decorria o mês de Outubro quando finalmente entrou uma educadora para substituir a educadora da sala. Finalmente o meu Tesourinho ia começar a escola...

terça-feira, 3 de junho de 2008

O segundo período de férias

Estavamos em Setembro e eu tinha pedido, em Julho, ao tribunal, autorização para sair com o menino do país. A ideia era ir com os meus pais, a minha irmã, o meu cunhado e o bebé deles até Islantilla, em Espanha.

Sem autorização do tribunal, o menino não poderia sair do país... Em meados de Agosto fui informada que como o processo já estava a decorrer, não iriam dar a tão desejada autorização... Não iamos poder ir de fárias com a familia...

Ao fim de alguns dias, já em Setembro, recebi a tão desejada “setença” do tribunal. Finalmente o meu Tesourinho era meu...

Liguei para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, para saber se o menino podia sair do país, porque a documentação que eu tinha dele não tinha qualquer foto. Para meu alivio disseram que sim.

Numa sexta-feira, peguei no menino, e fomos buscar a Madrinha ao trabalho. Metemo-nos à estrada e em 3 ou 4 horas já estávamos em Islantilla a fazer uma surpresa a toda a família....

Foram uns dias muito bem passados, o Tesourinho e eu estávamos muito cansados... (rss)

Rapidamente tivemos de voltar. O Tesourinho ia começar as aulas na escola nova.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A sentença…

Após alguma insistência junto das técnicas da SS, lá consegui que, em Junho, o processo de adopção fosse encaminhado para o Tribunal de Família e Menores da área da minha residência. Mas avisaram-me que este era um dos Tribunais que estavam a demorar mais tempo com os processos de adopção, porque davam prioridade às crianças em risco e o caso do Bruno não era, de todo, considerado um caso de uma criança em risco.
Ele estava integrado numa família que cuidava bem dele e onde ele se sentia feliz…

Um tempo interminável de espera e…. Finalmente a intimação para ir a tribunal. A audiência estava marcada para o dia 24/08/2007 pelas 14h00m.

Chegou o dia, e com ele muitos nervos… Era agora que um juiz ia decidir se eu era capaz ou não para ser Mãe do meu Tesourinho.
Estranhamente, e apesar de termos de apresentar testemunhas nestes processos, o tribunal não pediu nenhuma das minhas testemunhas.

Não consegui almoçar… Cheguei com alguma antecedência ao parque de estacionamento do tribunal e lá esperei que fossem horas de entrar.

Chegou a hora… O Bruninho tinha adormecido ao meu colo e eu deixei-o a dormir no banco do carro (com a supervisão da Madrinha… claro…).

Subi ao primeiro piso, onde me disseram que teria de esperar pela audiência à porta da sala… Espera interminável… Nunca mais me chamavam…
Finalmente o meu nome… é agora… caminhei apressadamente para a sala de audiências… uma oficial de justiça disse-me que deveria aguardar… desta vez dentro da sala de audiências… mais dez minutos… entra a Dra. Juíza… eu tremia…

A audiência durou cerca de 10 minutos… findos os quais a Dra. Juíza me disse que o processo estaria praticamente concluído e que decorridos os trâmites legais, eu receberia a sentença em casa.

Lembro de sair daquela sala com uma enorme sensação de alivio… lembro-me de pensar: “Afinal era só isto? Para quê tantos nervos?”
Voltei para o carro… Sentia-me a pessoa mais feliz do mundo… O Tesourinho ainda dormia…

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A Testemunha


Sendo eu uma testemunha do processo de adopção do Tesourinho, fui chamada à SS para falarem comigo. Lembro-me que me chamaram por haver algumas dúvidas em relação ao infantário, pois quando lá foram, no infantário tinham dito que a mãe do Tesourinho era muito exigente com o menino entre outras coisas, que fez com que as assistentes sociais quisessem falar com mais alguém para contra-por na balança.
E não estiveram com grandes rodeios…. Depois de me perguntarem qual o tempo que eu passava com a família, perguntaram qual a minha opinião em relação à mãe. Se não seria demasiado exigente com o menino. Eu disse que no meu entender ela estava a fazer um excelente trabalho, e que dentro da minha experiência profissional, visto eu já ter trabalhado numa instituição com crianças deficientes ás quais tenho paixão, os pais de meninos com Trissomia 21 deveriam ser exigentes para poderem estimular as crianças…
Lembro-me que lhes disse: “Ela é exigente q.b., pois só trabalha com ele uma hora por dia, depois é só mimo e mais mimo e mais mimo…. Ela é extremamente carinhosa com o menino, e vejo que ele já é tudo para ela”.
Depois perguntaram-me pela reacção da família. Disse toda a verdade, e elas perceberam que desde o início se falou a verdade.
Afinal ficaram convencidas que o grau de exigência era mínimo comparado com o grau de amor e carinho que o Tesourinho recebia da Mãe…

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O aniversário da Madrinha

Estavamos em Julho de 2007 e o Tesourinho agora conhecia muita gente a fazer anos nesse mês... É a Avó Odete, que faz anos a 16, a “Tia” Paula a 19, a Liliana a 20 e a nossa Madrinha a 22...

O aniversário da Madrinha foi o mais prolongado de todos... Começou de vespera com um dia passado ao ar livre e um picnic no Monsanto. Ouve comidinha, bebidinha, muita música, leitura de histórias, ..., foi muito divertido.
Mas ainda faltava muito tempo para a Madrinha realmente fazer anos. Era só no dia seguinte e o Tesourinho não queria continuar no picnic até lá.

À noite fomos jantar ao Mexicano, jantámos só os três, mas mesmo antes da meia noite chegaram a Liliana e o Paulo. Mesmo a tempo de iniciar o dia de anos da Madrinha com ela...
O Tesourinho estava cansado, mas muito feliz... Ele gosta muito de festas...


No dia seguinte rumámos à capital da palha... para comemorar o dia de anos da Madrinha com a familia dela... foi um almoço muito divertido... estavam todos bem dispostos... e o Bruno lá estava, completamente embevecido, a admirar a “Avó” Maria...

Depois do almoço fomos ao café e aproveitámos para ir até ao parque com as crianças.
Enquanto uns aproveitaram para descansar um pouco, outros resolveram correr e brincar com as crianças.

A Madrinha resolveu divertir-se com os mais pequenos e conseguir mais alguns feitos do Tesourinho.

Este foi o dia em que o Bruninho aprendeu a andar de escorrega (depois de muita insistência da sua Kika... claro...)!!!